Cântico
de Amor
(História
Moacir Sader)
Um
amigo me narrou o encontro que teve com sua alma gêmea. Eis a história:
Até
um ano atrás, eu vivia com a sensação de que me faltava encontrar alguém em
minha vida. Um dia, conheci uma mulher que irradiava uma energia maravilhosa,
raio de sol ao alvorecer. Desde o primeiro encontro, casual, convenci-me de que
a conhecia de tempos remotos, ainda que não me lembrasse de onde, não era
desse tempo terrestre.
De
pronto, ficamos amigos verdadeiros, íntimos. A cortina se abriu, pude sentir
que ela era, enfim, a pessoa que tanto pressentia, que tamanha falta fazia em
minha vida.
Ela,
com ternura, amor, sorrisos e toques de alma, chegou bem perto de mim, de meu
coração. Nunca antes outra pessoa havia se identificado tanto comigo. Não
precisávamos adivinhar os pensamentos, pois eles se punham iguais, como idêntica
se apresentava nossa maneira de sentir, de ver a vida, as pessoas e o amor.
Jamais
alguém havia me beijado com tanto a dar (e receber), excedendo as carícias físicas,
fazendo meu corpo vibrar, meu espírito iluminar-se, por ser uma ligação rara,
única, própria dos seres singulares.
Meu
coração amou tanto, explosão de sentir quase descontrolado que me fez
vislumbrar o céu, trouxe-me o paraíso, tornando-me anjo de tamanho amor e por
estar sendo intensamente amado.
Ela
chegou bem próxima, humanamente íntima, interação plena, sorriu e me deu
amor, o mais puro, verdadeiro, nascido em seu coração especial, quase
celestial.
Amamos
estar juntos nas noites de estrelas e luar, à brisa, sobre um elevado de bela
vegetação, vendo embaixo e à distância a praia toda iluminada por raios
lunares. Nossos corações estavam mais alvos, tocamo-nos, nossos corpos
vibravam, nossas energias atraíam-se mutuamente, ímã de puro sentir.
Na
praia deserta, caminhávamos sobre as pedras, sentido as ondas brancas a nos
banhar de felicidade visual. O Sol queimava nossas peles, igualando-se em calor
aos nossos corações. Saltando de uma pedra, segure-a e nos demos o primeiro
abraço, nossas auras se uniram para sempre. O mar tudo testemunhava, tingindo de verde nossa esperança
refletida na cor de seus olhos.
Numa
noite nos demos com carinhos especiais e livres, fazendo de nossos corpos a
morada do amor, prazeroso, inigualável, inesquecível, sensação infinda.
Ele
contava-me esta história e seus olhos brilhavam, porque tudo vinha de seu coração,
de sua alma, e, por isso mesmo, era tão poético, tão envolvente. Ele acabara
de criar uma poesia para a sua alma gêmea, um verdadeiro cântico de amor. Por
vários dias pensei no meu amigo, no encontro com ele teve com o verdadeiro
amor, e me coloquei a refletir que a maior força de atração ocorre com duas
almas gêmeas, em razão de seus corações siameses. Essas almas são tão
iguais que elas se surpreendem com tantas identificações, no pensar e no
sentir, atraindo-se ao encontro inevitável.
Saber
da existência de almas gêmeas é um alento, mas viver esse encontro, como
aconteceu na história que me foi contada, é excepcional. É sensação de
conforto por saber enfim, que não se está sozinho no universo; que, unidos por
uma energia idêntica, estarão as almas gêmeas sempre juntas por futuras
encarnações e no mundo espiritual, quando não mais precisarem voltar para o
mundo da matéria.
Viver
junto a sua alma idêntica é o verdadeiro paraíso prometido por Deus. Porque,
estando juntas, haverá sempre céu azul, mar verde, nuvens brancas, anjos ao
redor e principalmente a bênção de Deus, em Sua infinita felicidade de saber
que as duas almas se reencontraram para viver o presente antecipado, um céu de
imediato, um céu permanente, interligadas pelo amor gêmeo.
Quando
dois corações idênticos se reencontram, desce do céu uma luz divina,
inundando-os de límpido amor, resumindo no sentir de seus corações toda a
felicidade prometida por Deus.
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A história "Cântico de amor", faz parte do livro Outra vida, nova chance de Moacir Sader.
Site: http://www.moacirsader.com
imagem de fundo: criada por Ricardo Zerrenner.