
M E N S A G E M D O P E R D Ã O
(Mensagem de Jesus Cristo recebida por Pietro Ubaldi - psicografia
- em 02 de agosto de 1932 - dia do "Perdão de Porciúncula"de São
Francisco)
Filho
meu, minha voz não despreza tuas pequeninas coisas de cada dia, mas delas se
eleva para as grandes coisas de todos os tempos.
Ama
o trabalho, inclusive o trabalho material.
Coisa
elevada e santa, o trabalho, presentemente, foi transformado em febre. De que
não se tem abusado entre vós? Que coisa ainda não foi desvirtuada pelo
homem? Em tudo vos excedeis e, por isso, ignorais o labor equilibrado, que tão
elevado conteúdo moral encerra: se busca o necessário ao corpo, ao mesmo
tempo contenta o espírito. E, no entanto, transformastes esse dom divino, com
o qual poderíeis plasmar o mundo à vossa imagem, em tormento insaciável de
posse. Substituístes a beleza do ato criador, completo em si mesmo, pela cobiça
que nunca descansa. Quantos esforços empregados para envenenar-vos a vida!
Ama
o trabalho, mas com espírito novo; ama-o, não pelo que ele é propriamente,
porém, como um ato de adoração a Deus, como manifestação de tua alma,
nunca como febre de riqueza ou domínio. Não prendas tua alma aos seus
resultados, que pertencem à matéria e, portanto, sujeitos à caducidade;
ama, porém, o ato, somente o ato de trabalhar. Não seja a posse, o triunfo,
a tua recompensa, mas sim, a satisfação íntima de haveres cumprido, cada
dia, o teu dever, colaborando assim no funcionamento do grande organismo
coletivo.
Esta
é a única recompensa verdadeira, indestrutível, solidamente tua; as demais
depressa se dissipam e se perdem. Ainda que nenhum resultado positivo
obtivesses, uma recompensa ficaria contigo para sempre: a paz do coração,
paz que o mundo perdeu por prender-se às coisas concretas, julgando-as
seguras.
Desapega-te
de tudo, inclusive do fruto de teu trabalho, se queres entrar na posse da paz.
Ocupa-te das coisas da Terra, mas apenas o suficiente para aprenderes a
desapegar-te delas.
Toda
construção deve localizar-se no teu espírito, deve ser construção de
qualidades e disposições da personalidade, e não edificação na matéria,
que é um remoinho de areia que nenhum sinal pode conservar.
Tudo
o que quiserdes vos seja unido eternamente deve ser unido por qualidades e
merecimento, deve ser enlaçado pela força sutil da Lei, por vós
movimentada, nunca por vossa força exterior, ou por vínculos das convenções
sociais ou ainda por liames da matéria. Só nesse sentido se pode realmente
possuir: de outro modo, não obtereis senão a tristeza depois da ilusão e a
consciência posterior da inutilidade de vossos esforços.
Outro
grande problema, que voz diz respeito, é o amor. Elevai-vos em amor, como
deveis elevar-vos em todas as coisas, se quereis encontrar profundas alegrias.
Martelai vossa alma, num íntimo trabalho de cada dia, que vos leva à
conquista de amores sempre mais extensos, únicos que têm a resistência das
coisas terrenas.
Sabes
que o amor se eleva do humano ao divino e que nessa ascensão ele não se
destrói, mas se fortalece, aperfeiçoando e multiplicando-se. Segue-me e, então,
poderás entoar o cântico do amor:
"Meu
corpo tem fome e eu canto; meu corpo sofre e eu canto; minha vida é deserta e
eu canto; não há carícias para mim, porém todas as criaturas vêm à mim.
Meu irmão de mim se aproxima como inimigo, para prejudicar-me, e eu lhe abro
os braços em sinal de amor. Eu vos bendigo a todos vós que me trazei dor,
porque com ela me trazeis a purificação, que me abre as portas do Céu.
Minha dor é um cântico que me faz subir. louvado sejas, ó Senhor, pelo que
é a maior maravilha da vida; que as pobres intenções malignas de meu próximo
sejam para mim a Tua Bênção ".
Estes
meus ensinamentos são dirigidos mais à vossa intuição que ao vosso
intelecto. Tem um sentido mais amplo o que vos tenho dito: a felicidade dos
outros é vossa única felicidade, verdadeira e firme. Significa extinção
dos egoísmos num amplexo universal de altruísmo. Tudo isso pode ser de fácil
compreensão, mas é difícil senti-lo. Não procuro vossa razão que discute,
antes busco essa visão interior que em vós opera, que sente por imediata
concepção, que enxerga com absoluta clareza e lealmente se entrega à ação.
Peço-vos
o ímpeto que somente nasce do calor da fé e que nunca vem pelos tortuosos
caminhos do raciocínio. Não desejo erudição, pesquisas e vitórias do
intelecto; quero, antes, que vejais, num ato sintético de fé e que
imediatamente vivais vossa visão, e personifiqueis a idéia avistada, e
resplendais vós mesmos, em seu esplendor. Somente então a idéia viverá na
Terra e personificado em vós existirá um momento da concepção divina.
Não
estou apelando para vossos conhecimentos nem para vosso intelecto, que não são
patrimônios de todos, mas venho até junto de vós por caminhos inabituais e
em vós penetro como um raio que desce às profundezas e dissipa as trevas,
que cintila e vos arrasta através de novas vias, com forças novas, que
levantarão o mundo como num turbilhão.
Também
falarei, para ser entendido, a linguagem fria e cortante da razão e da ciência,
porém usarei, acima de tudo, da linguagem ardente e direta da fé. Minha
palavra será ora o brado de comando, ora a ternura de um beijo de mãe.
Para
ser por todos compreendida, minha palavra percorrerá os extremos de sabedoria
e de singeleza, de força e de bondade. Será pranto de amargura e remoinho de
paixão; será nostálgico lamento, suspirando por uma grande pátria
distante, como será também ímpeto de ação para até ela conduzir-vos.
Minha palavra rolará, por vezes, como regato susurrante em verde campina, a
trazer-vos o frescor das coisas puras; outras vezes trovejará com os
elementos enfurecidos na fúria da tempestade.
Ao
seio de cada alma quero descer e adaptar-me a fim de ser compreendido; para
cada uma devo encontrar uma palavra que a penetre no mais íntimo, que a
abale, que a inflame e a arroje para o alto, onde eu estou, que até junto de
mim a conduza, onde eu a espero.
Almas,
almas eu peço. para conquistá-las vim das profundezas do infinito, onde não
existe espaço nem tempo, vim oferecer-vos meu abraço, vim de novo dizer-vos
a palavra da ressurreição, para elevar-vos até mim, para indicar-vos um
caminho mais elevado onde encontrareis as alegrias puras.
Vós
vos identificastes de tal modo com a vida física que já não podeis sentir
senão uma vida limitada como a do vosso corpo. Pobre vida, rápida e cheia de
incertezas, enclausurada nas limitações de vossos pobres sentidos. Pobre
vida, encerrada num ataúde, na sepultura que é o corpo a que tanto vos
agarrais. Minha voz encerrará todos os extremos de vossas diferentes
psicologias. Escutai-me!
Não
vos ensino a gozar das coisas terrenas, porque são ilusórias; indico-vos as
alegrias do céu, porque somente estas são verdadeiras. Minha verdade não é
a fácil verdade do mundo; não vos prometo alegrias sem esforços, mas minha
promessa não vos ilude. Meu caminho é caminho de dor, porém, eu vos digo
que somente ele vos conduzirá à liberação e à redenção. Minha estrada
é de luta e de espinhos, mas vos fará ressurgir em mim, que vos saciarei
para sempre. Não vos digo: " Gozai , gozai ", como o mundo vos
fala. O mundo, porém, vos engana, eu não vos enganaria nunca.
Minha
verdade é áspera e nua, contudo é a verdade. Peço o vosso esforço, mas
dou a felicidade. Digo-vos: " Sofrei ", mas junto de vós estarei no
momento da dor; com piedade maternal, velarei por vós; medindo todo o vosso
esforço, proporcionarei as provas segundo vossa capacidade; finalmente, farei
o que o mundo não faz: enxugarei vossas lágrimas.
O mundo parece espargir rosas, mas na verdade distribui espinhos; eu vos ofereço espinhos, porém vos ajudarei a colher rosas.
Segui-me, que o exemplo já vos dei. Levantai-vos, ó homens: é chegado o momento. Não venho para trazer guerra, mas, sim, paz. Não venho trazer dissensão às vossas idéias nem às vossas crenças: venho fecundá-las com meu espírito, unificá-las na minha luz.
Não
venho para destruir e sim para edificar. O que é inútil morrerá por si
mesmo, sem que eu vos dê exemplo de agressividade.
Desejaríeis
sempre agredir, até mesmo em nome de Deus. Com que grande avidez ansiais por
discussões e lutas contra vossos próprios irmãos, prontos a profanar,
assim, minha pura palavra de bondade. Repito-vos: " Amai-vos uns aos
outros ". Não discutais, mas dai o exemplo de virtude na dor, amai vosso
próximo; aprendei a estar sempre prontos para prestar um auxílio, em
qualquer parte onde haja um padecimento a aliviar, uma carícia a oferecer.
Vossas eruditas investigações tornaram tão ásperas vossas almas que não
vos permitiram avançar um só passo para o Céu.
Não venho para agredir, mas para ajudar; não para dividir, mas unir; não demolir, mas edificar. Minha palavra busca a bondade, antes que a sabedoria. Minha voz a todos se dirige. Ela é ampla como o universo, solene como o infinito. Descerá aos vossos corações, às vezes com a doçura de um carinho, outras vezes arrastadora como o tufão.
Do
alto e de muito longe venho até vós. Não podeis perceber quão longo é o
caminho que nós, puro pensamento, devemos percorrer a fim de superar a imensa
distância espiritual que nos separa de vós, imersos na terra lodosa. Vossas
distâncias psicológicas são maiores e mais difíceis de serem vencidas que
as distâncias de espaço e tempo. Por isso, às vezes, chego fatigado. Minha
fadiga, porém, não é cansaço físico: provém apenas do desalento que me
nasce de vossa incompreensão. E, no entanto, minha palavra tem a doçura da
eternidade e do infinito. Tem a tonalidade tão ampla como jamais possuiu a
voz humana: deveríeis, por isso, reconhecer-me.
Venho
a vós cheio de amor e de bondade, e me repelis. Eu, que vejo os limites da
história de vosso planeta; eu, que num rápido olhar, vejo sem esforço toda
a laboriosa ascensão desta humanidade cujo pai sou; eu me faço pequenino
hoje, limito-me e me encerro num átimo de vosso momento histórico para que
possais compreender-me.
Se
vos falasse com minha voz potente, não me entenderíeis. Meu olhar contempla
a Terra, quando o homem ainda não a habitava e também a vê no futuro
distante, morta, a navegar no espaço como um ataúde de todas as vossas
grandezas. Vejo vosso sol moribundo, depois morto e em seguida chamado a uma
nova vida. Vejo, além desse átomo que é o vosso planeta, uma poeira de
astros a revolutearem sem cessar pelos espaços infinitos, e todos eles
transportando consigo humanidades que lutam, sofrem, vencem e se elevam. tudo
vejo, tudo leio nos vossos corações como nos corações de todos os seres.
Além
do vosso universo físico, vejo um maior universo moral, onde as almas, na sua
laboriosa ascensão, cumprindo seu diuturno esforço de purificação para o
Alto, cantam o mais glorioso hino à Divindade. Esplendorosa luz existe no
centro moral do universo, luz que atrai todos os seres por uma força de
gravitação moral mais poderosa do que aquela que mantém associadas no espaço
as grandes massas planetárias e estelares. tudo vejo, mas nada falo para não
vos perturbar. tudo vejo e minha mão possante firma o destino dos mundos.
Poderia mudar o curso dos astros, mas nós somos lei, ordem e equilíbrio e não
aprovamos violações. Empunho o destino dos povos e, no entanto, venho
humildemente até vós, para entre vós colher o perfume que se desprenda de
uma alma simples. Esse é meu único conforto, quando desço ao vosso mundo,
às camadas profundas e obscuras de matéria densa, formadas de coisas baixas
e repugnantes. Aquele perfume parece perder-se na vossa atmosfera carregada de
emanações perniciosas, como que vencido pelas forças envolventes do mal. Eu
o percebo, no entanto, elegendo-o, e recolho como se guarda uma jóia humilde
e gentil, desabrochada na lama, e a guardo em meu coração, onde ela repousará.
É o único carinho que encontro em vosso mundo, o único hino, puro e
singelo, que me faz descansar. Como a criancinha repousa aos cânticos de sua
mãe, que lhe parecem os mais belos, assim me acalento, invadido por infinita
doçura, no seio dessas vozes humildes dispersas em vosso mundo.
Essa
é a única trégua em meio ao trabalho de iluminar e guiar-vos, ó homens
rebeldes, que acreditais dominar e sois dominados, que pensais subir, mas, na
verdade, desceis. Eu poderia, contudo, atemorizar-vos por de prodígios,
aterrorizar-vos com cataclismos. Convencer-vos-ia, no entanto? Minha mão se
levanta sobre vós, que sois maus, como uma bênção, nunca para vinganças.
Escutai
com atenção esta grande palavra: desejo que o equilíbrio, violado pela
vossa maldade, se restabeleça pelos caminhos do amor e não pelo castigo.
Compreendeis a grande diferença?
Eis
as razões da minha intervenção, da minha presença entre vós.
A
Lei quer o equilíbrio. É a Lei. Vós a desrespeitastes com vossas culpas,
ultrajando assim a Divindade. O equilíbrio "deve" restabelecer-se,
a reação "deve" verificar-se, o efeito "deve" acompanhar
a causa, por vós livremente buscada.
Deus
vos quer livres, já o sabeis. Pois bem, eu venho para que o equilíbrio se
restabeleça pelos caminhos do amor e da compreensão; venho para incitar-vos,
com palavras de fogo, ao entendimento, estimular-vos a retomar livremente a
via da redenção; finalmente, venho ensinar-vos a fazer de vossa liberdade um
uso que vos eleve e salve, e não que vos rebaixe e condene. Venho tornar-vos
conscientes dessa Lei que vos guia e da maneira de restaurardes a ordem
violada, a fim de que essa violação não venha a recair sobre vós, como
tremendo choque de retorno que destruirá vossa civilização.
Venho para
salvar-vos, para salvar o que de melhor possuís, o que fatigosamente os séculos
têm acumulado, ao preço de muitas dores e de muito sangue.
Entre
a necessidade férrea da Lei que, inexoravelmente, volve ao equilíbrio,
interponho hoje o meu amor e a minha luz, como já interpus a minha dor e o
meu martírio!
Homens,
tremei! É supremo o momento. É por motivos supremos que do Alto desço até
vós. Escutai-me: o mundo será dividido entre aqueles que me compreendem e me
seguem e aqueles que não me compreendem e não me seguem. Ai destes últimos!
Os primeiros encontrarão asilo seguro em meu coração e serão salvos; sobre
os outros a Lei, não mais compensada pelo meu amor, descerá inelutavelmente
e eles serão arrastados por um vendaval sem nome para trevas indescritíveis.
Não
vos iludais: reconhecei a minha voz. Reconhecei-a pela sua imensa tonalidade,
pela sua bondade sem fronteiras. Algum homem, porventura, já falou assim?
falo-vos de coisas singelas e elevadas, de coisas boas e terríveis. Sou a síntese
de todas as Verdades.
Não
me oponhais barreiras de vossas almas, mas escutai, ponderai, deixai que este
raio de luz que vem de Deus desça à vossa consciência e a ilumine. Eu vô-lo
rogo, humilhando-me em vossa presença; humildemente, para vossa salvação,
eu vos suplico: escutai a minha voz!
Que
sobre vós desça a paz. A paz! A paz que não mais conheceis venha sobre
vossas almas! Entre vós e a divina justiça está minha oração: "Deus,
perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".
Pobres
seres perdidos na escuridão das paixões; pobres seres que tomais por luz
verdadeira o ouropel fascinador das coisas falsas da Terra! Pobres seres, maus
e perversos! E, no entanto, sois meus filhos e por amor de vós de novo
subiria à cruz para vos salvar. Pobres seres que, numa vitória efêmera de
matéria, que chamais civilização, haveis perdido completamente o único
repouso do coração — a minha paz.
Escutai-me.
Falo-vos com amor, imenso amor. Fui por vós insultado e crucificado, e vos
perdoei; perdôo-vos ainda e ainda vos amo. Trago-vos a paz. Até junto de vós
retorno para falar-vos de uma ciência que a vossa não conhece, para
pronunciar-vos a palavra que nenhum homem sabe falar, palavra que vos saciará
para sempre. Escutai-me.
Minha
voz conduzirá vosso coração a um êxtase que nenhuma vitória material, que
nenhuma grandeza do mundo jamais vos poderá dar.
Como
um clarão intuitivo, minha luz espargirá sobre vós uma compreensão a que
os laboriosos processos de vossa razão não chegarão jamais. A razão, filha
do raciocínio, discute e calcula, mas eu sou o clarão que em vós se acende
e pode, num átimo, transformar-vos em heróis. Aceitai, suplico-vos, este
supremo dom que vos ofereço e pelo qual vim de tão longe até junto de vós:
aceitai esta dádiva esplêndida, que é a minha paz. É a bem-aventurança do
céu, que vos trago de mãos cheias; é a felicidade que coisa alguma terrena
jamais vos poderá dar. Reconhecei a minha paz! Para recebê-la, abri todas as
portas de vossa alma! Dela saciai-vos, com ela inebriai-vos! É um dom imenso
que vos trago do seio de Deus, é uma graça com que o meu imenso Amor
recompensa a vossa ingratidão.
Até
vós eu venho, trazendo os mais lindos dons, para derramar sobre vossas almas
a verdadeira felicidade. Venho para suavizar a Justiça Divina. Fiz longa e
fatigante viagem, do meu Céu radioso às vossas trevas. Vim espontaneamente,
pelo amor que vos consagro. Não renoveis as torturas do Getsêmani, as angústias
da incompreensão humana, os tormentos de um imenso amor repelido.
Quem
sou eu? - perguntais-me.
Sou
o calor do sol matinal que vela o desabotoar da florzinha que ninguém vê;
sou o equilíbrio que, na variação alternadora dos elementos, a todos
garante a vida. Sou o pranto da alma quebrantada, em que desabrocha a primeira
visão do divino. Sou o equilíbrio que, nas mudanças dos acontecimentos
morais, a todos promete salvação. Sou o rei do mundo físico de vossa ciência;
sou o rei do mundo moral que não vedes.
Sempre
me procurais, em toda a parte. Sempre mais profundamente vos escapo, de fibra
em fibra, nas vossas mesas de anatomia, de molécula em molécula nos vossos
laboratórios. Vós me procurais, dilacerando e dissecando a pobre matéria:
mas eu sou espírito e animo todas as coisas. Não com os olhos e os
instrumentos materiais, mas somente com os olhos e os instrumentos do espírito
podereis encontrar-me.
Sou
o sorriso da criança e a carícia materna; sou o gemido daquele que corre
implorando salvação; sou o calor do primeiro raio de sol da primavera, que
traz a vida e sou o vendaval que traz a morte; sou a beleza evanescente do
momento que foge; sou a eterna harmonia do universo.
Sou
Amor, sou Força, sou Idéia, sou Espírito que tudo vivifica e está sempre
presente. Sou a lei que governa o organismo do universo com maravilhoso equilíbrio.
Sou a Força irresistível que impulsiona todos os seres para a ascensão. Sou
o cântico imenso que a criação entoa ao Criador.
Tudo
sou e tudo compreendo, até o mal, porquanto o envolvo e o limito aos fins do
bem. Meu dedo escreve, na eternidade e no infinito, a história de miríades
de mundos e vidas, traçando o caminho ascensional dos seres que para mim se
voltam, seres que atraio com meu Amor e que recolherei na minha luz.
Muitos
mundos já vi antes do vosso, muitos verei depois dele. Vossas grandes visões
apocalípticas para mim são pequeninas encrespaduras nas dimensões do tempo.
Virei, entre raios de tempestade, para dobrar os orgulhosos e elevar os
humildes. Virei vitorioso na minha glória e no meu poder, triunfante do mal,
que será rechaçado para as trevas.
Tremei,
porque quando eu já não for o Amor que perdoa e vos protege, serei o turbilhão
que tempestua, serei o desencadear dos elementos sem peias, serei a Lei que, não
mais dominada pela minha vontade, trazendo consigo a ruína, inexoravelmente
explodirá sobre vós.
Tudo
é conexo no universo; causas físicas e efeitos morais, causas morais e
efeitos físicos. Um organismo compressor vos envolve e nele estais presos em
cada ato vosso.
Minha
poderosa mão firma o destino dos mundos e, no entanto, sabe descer até a
mais humilde criancinha para lhe suster, carinhosamente, o pranto. Essa é
minha verdadeira grandeza.
Ó
vós que me admirais, tímidos, no ímpeto da tempestade, admirai-me, antes,
no poder que tenho de fazer-me humilde para vós, no saber descer do meu
elevado reino à vossa treva; admirai-me nessa força imensa que possuo de
constranger meu poder a uma fraqueza que me torna semelhante a vós.
Não
vos peço que compreendais meu poder, que me situa longe de vós; rogo-vos que
compreendais o meu amor que me assemelha a vós e me coloca ao vosso lado. Meu
poder poderá desalentar-vos e atemorizar-vos, dando-vos de mim uma idéia não
justa, a de um senhor vingativo e despótico. Não quero vossa obediência por
temor. Agora deve despontar uma nova aurora de consciência e de amor. Deveis
elevar-vos a uma lei mais alta e eu retorno hoje para anunciar-vos a boa nova.
Não sou um senhor vingativo e tirânico, como outrora, por necessidade, me
supuseram os povos antigos; sou o vosso amigo e é com palavras de bondade que
me dirijo ao vosso coração e à vossa razão.
Não
mais deveis temer, mas, sim, compreender. Vossa razão infantil já acordou e
nela venho lançar minha luz. Sou síntese de verdade e em toda a parte ela
surgirá, atingindo a luz da vossa inteligência.
Não
trago combates, mas paz. Não trago divisões de consciência e, sim, união
de pensamentos e de espíritos.
A
humanidade terrestre aproxima-se de sua unificação, numa nova consciência
espiritual. Não vos insulteis, pois; antes, compreendei-vos uns aos outros.
Que cada um concorra com o seu grãozinho para a grande fé e que esta vos
torne todos irmãos.
Que
a religião, que é revelação minha, e a ciência, que é o vosso esforço e
todas as vossas intuições pessoais se unam estreitamente numa grande Síntese,
e seja esta uma síntese de verdade.
Porque
eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.