Regressão de Memória

Desde de criança, os abalos emocionais repercutiam em meu corpo físico por intermédio de dor forte e persistente na região próxima ao coração, que durava dias. Essa situação, ainda que antiga e repetitiva, me deixava inquieto e preocupado.
Cheguei
mesmo a pensar que estivesse com algum problema físico ligado ao coração: por
duas vezes me submeti a rigoroso exame médico. Nada de irregular foi
encontrado. Num desses exames, a médica ficou surpresa com o exame circulatório,
um vez que, segundo ela, estava incrivelmente próximo do padrão ideal, talvez
explicado por eu não ser fumante.
Saía
do consultório, claro, muito feliz. Mas e a dor? Já estava desistindo de
entender, quando, numa noite, em sonho, vivi uma situação muito especial, que
veio explicar toda a origem desse sofrimento.
Na
primeira fase do sonho, visualizei-me deitando numa cama, no tempo atual. Uma
amiga se preparava para fazer regressão de memória em mim. Ela iniciou o
relaxamento e, aos poucos, fui viajando no tempo e aí vivenciei uma história
em que eu era o personagem principal, mas meu corpo se apresentava com outra
aparência, estava mais velho (em torno de 65 anos).
Eu
morava em uma casa grande de fazenda, o período era colonial, pelo tipo do
mobiliário. Eu estava muito doente, desenganado pelos médicos. Meu filho
estava com 30 anos. Minha esposa não me amava, talvez por culpa minha, de meus
procedimentos ditatoriais, próprios dos senhores de engenho.
Inconformado
por não me sentir amado e de não haver cura para minha doença, tomei uma
decisão definitiva e trágica: iria me suicidar.
Peguei
um punhal pontiagudo, segurei com duas mãos e com toda força puxei em direção
ao coração...
Por
um tipo de censura do inconsciente, não revivi a dor e o momento trágico da
minha morte. Estava agora em pé junto a todos de minha família, em outra
dimensão, vendo meu corpo ser velado. Ainda que houvesse lágrimas, não havia
amor por parte deles.
Acordei
com toda a sensação e emoção daqueles momentos dramáticos de minha outra
encarnação, que a regressão em sonho me permitiu relembrar.
Contei
o ocorrido a uma amiga psicóloga que faz regressão de memória em seus
pacientes. Ela me confirmou o que eu já sabia, o que aconteceu comigo foi que
vivi novamente as cenas e as emoções de uma de minhas encarnações, no seu
momento mais dramático. Situação normal que se verifica nas regressões de
memória realizadas nos consultórios de profissionais dedicados a esse tipo de
terapia.
Segundo
a psicóloga, a dor desapareceria se a energia emocional, existente em mim desde
aquela encarnação, tivesse sido eliminada plenamente. Caso restasse alguma
energia, eu poderia sentir ainda a dor, mas em menor proporção.
Ela
estava certa, situações em que a dor apareceria inevitavelmente e de modo
forte, proporcionaram, desde o dia do sonho, apenas dor suave e passageira.
O
sonho, a regressão inesperada, veio me libertar, quase que totalmente, da
energia negativa, presente em mim desde aquele fatídico dia, em que sem
compreender a vida, sem saber amar, ainda que desejasse ser amado, cometi um dos
mais terríveis crimes pessoas, o suicídio.
Muito
mais que me libertar desse sofrimento, esta experiência me fez pensar que tudo
aquilo que fazemos de mal contra a nossa pessoa ou contra o nosso semelhante,
fica guardado no campo emocional de nosso espírito, e sendo uma energia
negativa, terá de ser resgatada, superada, quase sempre pela dor.
Na
vida precisamos amar a nós mesmos e a todos os nossos semelhantes, pois, agindo
assim, o amor preencherá nosso espírito de pura energia, transformando as
dores físicas e emocionais em satisfação existencial plena.
Precisamos
nutrir nosso espírito com a energia do amor.
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Texto do Livro: Outra
vida, nova chance - pág.57-59 - de Moacir Sader
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