Jesus e o Sermão da Montanha
 
(texto do livro Necanerom de Moacir Sader)

(A versão integral deste artigo está publicada no livro:
 "
Viagem à cidade espiritual de Necanerom" de Moacir Sader)
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Em estado extra-sensorial, sinto a cortina branca da janela de meu quarto se debater intensamente, fruto de fortíssima ventania. Levanto-me com o meu corpo astral e olho pela janela, procurando entender o que está acontecendo. Para o meu espanto, o oceano havia secado e transformado em imenso deserto. Sobre a areia estão milhares de pessoas sentadas olhando para um mesmo lugar, como que esperando algo acontecer. 

Essa experiência, acontecida em março/06, vinha me intrigando por demais, sem que atinasse por seu real significado, até que um dia, estando em outra dimensão em viagem astral, encontro-me escrevendo um texto, já quase no final. Acordei convicto de que deveria escrever um novo artigo, mas qual o tema naquele texto escrito em outra esfera? Por mais que tentasse, não estava conseguindo recordar. 

No mesmo dia em que vivenciei a experiência da viagem astral, já desperto, deparei-me, casualmente, com um livro que andava desaparecido e sobre o qual há muito eu gostaria de escrever: “O Sermão da Montanha, segundo o Vedanta”. Percebi, então, a conexão entre as duas experiências extra-sensoriais e me pus a escrever o artigo, que a rigor já existia praticamente concluído por mim em outra dimensão. 

Do que está na Bíblia Sagrada, sempre  me senti mais atraído para as passagens que envolviam Jesus, Suas atitudes, Suas palavras. Entre todas as situações envolvendo o grande Mestre, há uma particularmente querida por mim: O Sermão da Montanha. Os ensinamentos ditos no sermão possuem profundidade pouco conhecida de modo pleno pela maioria, como veremos em muitos pensamentos encontrados no livro, que está me inspirando a escrever este artigo. 

Em 1963, foi publicado, originalmente, o livro, já referenciado, do autor Swami Prabhavananda, cuja leitura indico. Este escritor, adepto do Vedanta e do Evangelho de Sri Ramakrishna, surpreendeu por encontrar no Sermão da Montanha um caminho claro para se praticar a verdadeira espiritualidade. 

O Vedanta ensina que a verdadeira natureza do homem é a divina. O mais importante objetivo a ser alcançado pelo homem aqui na Terra é conseguir revelar essa divindade. Os adeptos do Vedanta procuram seguir o caminho da perfeição a cada dia e, diariamente, meditam para superar o egoísmo (o sentido do ego). 

Surgido de Vedas, uma das mais antigas escrituras hindus, o Vedanta ensina que todas as religiões são verdadeiras e levam a um mesmo objetivo, a manifestação de Deus. Portanto, os seguidores do Vedanta reverenciam todos os grandes profetas, os mestres espirituais e as expressões de divindade das diversas crenças. 

O autor do livro nos conta que foi por volta de 1874 que Sri RamaKrishna iniciou o interesse especial pelo Cristianismo. Certo dia, RamaKrishna, próximo a um quadro de Nossa Senhora com o menino Jesus, ficou absorvido em contemplação e viu o quadro, repentinamente, tornar-se vivo e resplendente. Sente, então, um amor ardente de Cristo invadir o seu coração. Durante três dias, ele viveu sob a influência deste intenso amor. No quarto dia, enquanto caminhava, aproximou-se um homem de semblante sereno, com olhar fixo nele. Teve plena certeza de estar diante de Jesus, que o abraçou se fundindo nele, levando Ramakrishna a um estado de consciência transcendental. Essa experiência o levou a se convencer da divindade de Jesus. 

Desde então, os seguidores de Ramakrishna e do Vedanta honram não somente Krishna e Buda, mas reverenciam igualmente Jesus, por ver Nele o mestre de ensinamentos não apenas de âmbito ético ou social, mas, principalmente, de ensinamentos incondicionalmente espirituais. 

Jesus pregou na Galiléia, atingindo, inclusive, toda a Síria, acompanhado, constantemente, de multidões. O Sermão da Montanha, no entanto, foi reservado aos seus discípulos, por conter ensinamentos espirituais avançados, além da compreensão pelas demais pessoas daquela época. 

"Vendo as multidões [Jesus]...subiu à montanha. Ao sentar-se, aproximaram-se dele os seus discípulos. [E Jesus] "pôs-se a falar e os ensinava, dizendo:"  [verdades espirituais fabulosas]. 

“Bem-aventurados os pobres em espíritos, porque deles é o Reino dos Céus”.

Neste primeiro ensinamento, Jesus explica que para o homem estar pronto para ouvir e entender o que o Mestre Iluminado tem a dizer precisa ser pobre em espírito, ou seja, precisa ser humilde, desapegar-se do orgulho do saber, da riqueza, da beleza ou da linhagem, desprender-se de idéias preconcebidas sobre a vida espiritual.

“Bem-aventurados os aflitos,  porque serão consolados”.

A aflição aqui não é por razões terrenas, mundanas, mas por causa de nossa desconexão com a verdadeira espiritualidade. O sofrimento a que se refere o Mestre é aquele que ocorre por fruto de nossa solidão espiritual, apegados que ficamos, muitas vezes, a crenças superficiais.

 “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”.

Viver a mansidão é viver em ligação permanente com Deus, libertos dos sentimentos relacionados ao “eu” e ao “meu”, pois nada nos pertence de fato, tudo é de Deus. Quem conquista pela força e pelas armas, está fadado ao sofrimento. Os avarentos apenas se acorrentam ao dinheiro, não são felizes. Devemos abandonar o nosso ego a Deus, tornando-nos efetivamente mansos, herdando, por conseguinte, o verdadeiro paraíso espiritual. 

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”.

A justiça enfocada não está relacionada às virtudes morais ou às boas qualidades humanas. Não tem a ver com o bem se opondo ao mal, nem com a virtude em oposição ao vício (sentido estrito); mas, sim, com a justiça absoluta, da bondade absoluta. Jesus quer dizer, no sentido lato, que o faminto e sedento de justiça é aquele faminto e sedento do próprio Deus. 

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

Ser misericordioso é condição necessária para que possamos nos colocar em condições de receber e entender a verdade de Deus. 

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.

Jesus, com essa frase, fala sobre a necessidade de sermos puros de coração para podermos ver, encontrar com Deus. Ainda que possamos ter uma vida pura, ética e de virtudes, muitas vezes, não estamos preparados para o encontro com Deus, pois nossas mentes não se apresentam puras, repletas que estão de impurezas (impressões acumuladas através das reencarnações), levando-nos à ignorância, ao sentimento do eu exclusivista, aos apegos mundanos, às aversões (somos atraídos por aquilo que repelimos) e à ânsia de viver. As almas iluminadas, vivenciando amor em seus corações e livres das impressões mentais de vidas passadas, estarão prontas para a conexão com Deus. 

“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”.

O Homem centrado no ego inevitavelmente se torna arrogante e se esquece de Deus. Não podemos, desse modo, vivenciar a paz verdadeira enquanto não completarmos a nossa união com Deus e com todo os seres. Isso somente poderá acontecer quando alcançarmos uma consciência transcendental. A alma iluminada não tem ego, está imersa na mente de Deus, transformando-se em verdadeira paz, seres humanos pacíficos, verdadeiros filhos de Deus. 

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque é grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós”.

Muitas vezes os aspirantes à espiritualidade não são compreendidos pelas pessoas apegadas a crenças ortodoxas. O espiritualista, no entanto, não deve reagir, negativamente, pois, sua mente está ligada a Deus. Enxerga a ignorância, mas age com misericórdia. Quando falam mal de nós, em qualquer circunstância, nosso instinto nos leva a aplacar o nosso ego, a revidar. Entregando a esse desejo do ego, estaremos nos fazem grande mal, pois, irritados e ressentidos, interrompemos nossa comunhão com Deus. Jesus nos ensina a não revidar ao mal, mas a orar por quem agiu negativamente conosco. Contudo, para estarmos prontos para dar a outra face, necessário se torna estamos espiritualmente maduros. Somente uma alma no verdadeiro caminho da iluminação vê Deus em todos os seres, conservando a paciência em meios os obstáculos da vida terrena. 
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O Sermão da Montanha, visto pelo prisma de quem segue o Vedanta, transparece uma outra forma de espiritualidade, aquela que enfatiza a necessidade de o ser humano mudar interiormente, rompendo com o ego e interligando-se efetivamente com Deus e com todos os semelhantes. E para esse caminho, dois tipos de conhecimentos nos apresentam em auxílio: um tido como inferior e, outro, superior. O conhecimento inferior é aquele de origem acadêmica, oriundo das ciências, da filosofia e até das escrituras religiosas. O conhecimento superior é a percepção imediata de Deus. A pessoa que se ilumina espiritualmente não precisa de informações externas, ela pode entender e até ensinar a partir de sua experiência interior.
 

Jesus é tido pelos cristãos como a encarnação divina, acontecido somente uma vez na Terra, segundo eles. Esse pensamento cristão advém, em grande parte, porque Jesus, quando esteve entre nós, disse: “Sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém chega ao pai, a não ser por mim”. Entretanto, ao se estudar outros grandes mestres espirituais, podemos ver que eles falaram algo similar a Jesus. Sri Krishna assim se manifestou certa feita: “Sou a meta do homem sábio e sou o caminho, sou o fim da estrada, a testemunha, o Senhor, o Sustentáculo. Sou o lugar de residência, o começo, o amigo e o refúgio”. De modo semelhante, Buda nos revelou o caminho, ao dizer: “Sois o meu filho, sou vosso pai; através de mim vós vos libertastes de vossos sofrimentos”. 

Então, a quem seguir, a quem aceitar suas palavras como verdadeiras? De Jesus, de Krishna ou de Buda? Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que o “Eu” dito por estes três grandes mestres não tem origem nos seus egos, no eu inferior de cada um. Eles, em verdade, estão afirmando as suas divindades, suas identidades com o Eu Universal. 

Se por um lado, transparecem inegavelmente as características divinas dos três mestres espirituais, tornando-se, cada um, há seu tempo terreno, o caminho para trilharmos na espiritualidade, em face de seus ensinamentos e exemplos deixados; por outro, podemos deduzir que esta divindade e essa conexão com o divino estão ao alcance de todos, desde que  nos propusermos a proceder a escalada do espírito, seguindo os passos marcantes deixados por esses grandes avatares. 

Uma idéia encontrada fortemente nos ensinamentos de Jesus, de Buda e Krishna, diz respeito ao amor que devemos sentir por nossos inimigos. Tenho pensado sobre esta postura que devemos ter. Ultimamente tem me ocorrido que, mesmo sem estarmos preparados para efetivamente sentir amor pelos nossos inimigos, temos que agir, ter atitude de amor para com eles, no sentido de não prejudicá-los, buscando tratá-los com respeito. Daí, estaremos praticando atitudes de amor; quiçá, por conseqüência, surgirá, em nossos corações, o amor por eles. 

Jesus, certa vez, disse uma frase, que resume, em importância, o tema central de todo o Sermão da Montanha: “Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céu”. A palavra perfeição transmite idéia de subjetividade, sobretudo, no que concerne à perfeição divina. Onde, pois, achar a perfeição? Em que local encontrar Deus? 

Essa procura não está distante de nós, a rigor, muito perto, em nosso interior, em nosso Eu Superior. Quando a pessoa estiver purificada através de sua evolução espiritual, descobrirá o verdadeiro ser divino em seu interior. Revelar este ser espiritual interior, essa divindade guardada no íntimo, é efetivamente tornar-se perfeito. Essa tese não é tão absurda como muitos querem crer, pois foi o próprio Jesus, que, segundo o Evangelho de Lucas, disse: “O reino de Deus não tem aparência ostensiva; nem se poderá dizer: hei-lo aqui ou hei-lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de vós”. 

Verdadeiramente, o que impede de vermos essa verdade, que Deus está dentro de nós é nossa ignorância, a falta de foco em nosso real estado, que é o espiritual, ainda que dotados de corpo, mente e sentidos temporários aqui na Terra. Estamos atuando em muitos papéis terrenos, mas somos unicamente seres espirituais. 

Os três grandes avatares, Jesus, Buda e Ramakrishna não somente manifestaram Deus, enquanto viveram seus dias terrenos, mas também insistiram para fazermos o mesmo. No entanto, os religiosos, na sua maioria, procuram freqüentar suas igrejas e ter comportamentos éticos em suas vidas, na esperança de serem recompensados após a morte em face de suas boas ações. Contudo, o ideal mais profundo de Cristo não tem sido seguido, por estar esquecido ou até mal compreendido, qual seja, ascendermos espiritualmente aqui na Terra.  

Neste sentido, muitos leitores do Sermão da Montanha acabam por não vivenciá-lo em sua plenitude, pois Jesus, como os seus ensinamentos, quis concretamente dizer que Deus pode ser visto na presente existência, podemos conhecê-lo e ser perfeitos enquanto vivemos na Terra como Deus é perfeito no céu. 

Importante ensinamento de Jesus foi a devoção, quando ele disse: “Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com todo a sua alma e com toda a sua mente.” Não quer dizer, com isso, que não devemos amar o nosso semelhante ou que não devemos vivenciar o amor humano, pois o primeiro dos dez mandamentos diz também que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. Esse amor deve, no entanto, ser dado com generosidade, de forma incondicional, sem esperar reciprocidade. 

Enfatizando o efeito de causa e efeito, Jesus nos ensina que, ao darmos esmolas, a mão esquerda não deve saber o  que faz a direita: “Que a tua esmola seja dada em segredo: e o teu Pai, que vê em segredo, te recompensará publicamente”. Com isso, Jesus está destacando o efeito da recompensa por boas ações, assim como acontece com as más ações, pois ele também disse: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Vemos então que tanto as boas ações quanto às ações negativas geram retornos futuros, o que está popularizado em nossos dias como a lei do Karma (positivo e negativo). 

Confirmando a existência do karma, inclusive de vidas passadas, observei que todas as vezes que Jesus curou alguém, mesmo com problemas de nascença, ele dizia: “Os seus pecados estão perdoados”. Em seguida mandava os paralíticos andarem, os cegos verem, etc. Com isso, fica evidente que as doenças, os problemas físicos e os psíquicos são conseqüência de falhas pregressas, surgem em face da lei de causa e efeito. 

O importante é rompermos todos os vínculos kármicos, dedicando todo o fruto de nosso trabalho, de nossa vida terrena, em adoração a Deus, vivendo sem apegos. Isso não quer dizer que devemos viver com preguiça, indiferença pelo que fazemos. O desapego aqui está no sentido oposto, pois, se constitui, em contra-partida, no apego a Deus, na entrega de tudo a Deus. Em sendo assim, devemos realizar nossas tarefas terrenas, buscando sempre a perfeição, uma vez que elas serão oferecidas a Deus em adoração. Por essa prática de entrega a Deus tudo o que fazemos, livramo-nos da roda da karma (causa e efeito) e ganhamos de presente o paraíso. 

Sobre a oração, Jesus nos ensina que esta deve ser feita em lugar discreto, ao dizer: “E quando orares, não sejas como os hipócritas; porque eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no tem aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê ocultamente, te recompensará abertamente”. 

A verdadeira espiritualidade não é exibicionista, é sagrada, secreta. Por isso Jesus nos falou que não devemos fazer aparado de nossa adoração. Devemos nos retirar para um lugar afastado, fazer nossos pedidos em oração, na certeza que seremos atendidos. Lembremos que Jesus gostava de orar sozinho nas montanhas. 

E como especial presente, Jesus nos ensinou uma das mais belas orações: O Pai Nosso, contemplando os princípios fundamentais para uma vida santificada: 

Pai Nosso... (para fazemos conexão com Deus em adoração) que estais no céu (o céu está para além de um lugar físico “estar no céu” é perceber Deus em nossas consciências). Santificado seja o vosso nome (quando mais repetirmos o nome de Deus, atrairemos a força espiritual que o seu nome carrega em si). Venha a nós o vosso reino (com visão espiritual aberta, veremos o reino de Deus em nós, aqui e agora). Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu (a vontade de Deus é tudo que nos conduz a Ele). O pão nosso de cada dia nos dai hoje (esse pão é a graça divina, que nos seja revelada agora, neste tempo de nossa vida terrena). Perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores (todas as dívidas kármicas nos serão perdoadas, quando perdoarmos os nossos inimigos, rompermos com o nosso ego e religarmos a Deus em adoração). E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal: porque vosso é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém. (precisamos refrear nossos sentidos e voltarmos para dentro de nós, onde Deus se encontra, e orar sempre pedindo a graça divina). 

E quando Jesus diz que a porta que leva ao céu é estreita. O que ele quis dizer com isso? É claro que Ele usou mais uma vez de metáfora para uma questão bem complexa. O sentido de “porta estreita” pode ser interpretado através dos ensinamentos da ioga. Os indianos identificaram três passagens formadas de nervos que percorrem toda a espinha, chamados: ida, pingala e sushumna. Destas, a sushumna é uma passagem central que não apresenta utilidade alguma, segundo a medicina tradicional. No entanto, para a ioga, existem sete centros de consciência espiritual localizados em toda a extensão da espinha do corpo humano, hoje conhecidos com os sete principais chakras tão utilizados pelos tratamentos alternativos, entre eles o Reiki. Na base da espinha, encontra-se uma grande reserva de energia espiritual latente. Quando despertada por práticas espirituais e pela devoção a Deus, esta energia espiritual se eleva pelo canal estreito da sushumna. Alcançando os chakras mais elevados, gera vários graus de iluminação. Ao atingir o chakra do coração, podemos enxergar a luz divina e experimentar o êxtase, vivenciar o amor incondicional. Ao atingir o chakra Laríngeo (da garganta), sentimos vontade de pensar e falar somente de Deus. Ao alcançar o chakra frontal (testa), podemos ver Deus. E por fim, quando a energia espiritual chega ao sétimo chakra, o coronário, surge em nós a percepção da unidade nossa com Deus, a união divina perfeita. Assim a sushumna seria a porta estreita que nos leva à vida eterna, ao conhecimento do próprio Deus, e, por isso, a evolução espiritual não está fora de nós, mas em nosso íntimo. 

Como vimos, Jesus nos ensinou uma espiritualidade muito mais profunda do que a que vemos nas religiões tradicionais. Ele nos mostrou o amor generoso e a compaixão por todos e o caminho para a iluminação, o interior. “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as põe em prática, assemelhá-lo-ei ao homem sensato que edificou a sua casa sobre a rocha”. A experiência espiritual, com base nos ensinamentos profundos de Jesus, é a rocha sobre a qual devemos construir as nossas casas (os nossos espíritos). 

Voltando à experiência em que vi o oceano se transformar inteiramente em areia, longo deserto repleto de pessoas, sinto que pode significar a existência de milhares de pessoas, em nosso tempo, preparadas e ávidas por ensinamentos espirituais que efetivamente levem à verdadeira conexão com Deus, que propiciem à iluminação espiritual aqui na Terra. Cada uma dessas pessoas está pronta para ouvir novamente o Sermão da Montanha do Mestre Jesus, para entender o seu intrínseco e verdadeiro significado e passar, então, a se dedicar à viagem através da estreita porta, localizada no interior, à caminho definitivo do absoluto encontro com Deus.

 

Temas constantes do livro "Viagem à cidade espiritual de Necanerom" 2ª Edição (2011) 230 páginas:
Experiências astrais e Necanerom / Premonições / Transformação quântica do pensamento / Nova era sendo implantada / Almas gêmeas na nova era / Eu Sou presença Divina / Jesus e o Sermão da Montanha / Maria Madalena, outra história / Evangelhos apócrifos / As mensagens de Jesus para a nova era / O poder da fé na cura cármica /  Reiki, processo de cura / Lei da atração / Como implantar na Terra a era de luz? / Chegada da nova era.


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Luz, paz, amor e esperança no futuro da humanidade.
É tempo de conhecer e saber como influir, ser participante pró-ativo na implantação da Nova Era, evoluindo junto com a nova dimensão planetária.
 
 Abraços fraternos, Moacir Sader

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Referência Bibliográfica:  

1-    Bíblia de Jerusalém.Nova edição, revista. Paulus.2001

2-    Prabhavananda, Swami. O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta. Editora: Pensamento. São  Paulo. 1987 (edição original: 1963).